Publicada em: 02/04/2020 14:47

Estudante Tuyuka de medicina da UEA orienta indígenas sobre Coronavírus por vídeos

"A transmissão de conhecimentos médicos ocidentais na língua indígena, como por exemplo, na língua do povo Tukano, só se torna compreensível a partir do momento em que os indígenas conseguem entender as informações transmitidas". A afirmação é do estudante de medicina e indígena Tuyuka, Israel Fontes Dutra, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Israel, ao observar a dificuldade, gravou dois vídeo sobre a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) no Núcleo do Telessaúde Amazonas da UEA. As gravações, uma sobre 'Prevenção' e a outra com 'Perguntas e Respostas', serão enviadas para sete Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI's) e cinco comunidades indígenas onde o Telessaúde está presente.

Dutra explica que a iniciativa surgiu dele após a maioria dos "parentes" informarem que a compreensão transmitidas na língua portuguesa eram difíceis. ¿Eles têm muita dificuldade, ou não entendem nada o significado das palavras expressadas. Diferente quando um dos filhos(as) deles, que estudou na área de saúde, transmite na língua paterna ou materna e ficam muito felizes. E, dizem: "Agora, sim, entendemos muito bem. Tragam mais informações sobre as doenças para nós; e venha nos cuidar", explicou.

A gerente do Telessaúde Amazonas, Waldeyde Magalhaes, ressalta que o estudante já tinha um material preparado, com base nas orientações do Ministério da Saúde, e o Telessaúde viabilizou as gravações com a parceria do Centro de Mídias da UEA. "É uma inclusão social. Uma divulgação que será realizada dando a oportunidade aos indígenas", destacou. Waldeyde informa que os vídeos serão enviados para as comunidades indígenas (São Gabriel da Cachoeira, Parintins, Barreirinha, Alto Nhamundá e Maués) a partir desta quinta-feira (2/04).

A responsabilidade de repassar as informações corretamente sobre a doença é de resguardar a cultura e a identidade indígena. "A preocupação é ajudar os mais velhos(as) e as lideranças indígenas, falantes da língua tucana da região do Rio Negro, a entender o que é Coronavírus, como é transmitido, quais são os principais sintomas, quem corre mais risco e como eles podem se prevenir, a partir da orientação do Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde. Tudo isso, para tentar evitar que a doença chegue nas comunidades", finalizou.

Sobre o Núcleo

O Núcleo Técnico-Científico de Telessaúde do Amazonas surgiu da necessidade de oferecer conteúdo educacional, aprimoramento técnico-profissional, teleconsultorias e telediagnósticos aos profissionais de saúde que atuam em todo o Estado do Amazonas, bem como elaboração de Segunda Opinião Formativa (SOF) baseada em evidências, visando proporcionar apoio aos profissionais que atuam na rede de atenção básica à saúde (médicos, odontólogos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde e outros), integrantes da atenção básica no interior do estado, com oferta de serviços de saúde à distância, utilizando-se das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).

O Núcleo tem a característica regionalizada, que leva em consideração as limitações econômicas, a cultura da população, a família ribeirinha ou indígena, a dificuldade de acessibilidade e se apresenta no contexto da universalização, integralidade e equidade, princípios norteadores do Sistema Único de Saúde (SUS).

Foto: Ascom/UEA